2009/08/29


Tunas
Ao primeiro acorde do cavaquinho começa-se-nos a tremer um olho. Quando 30 marmanjos largam a cantar “a mulher gorda... a mim não me convém”, desponta em nós uma urticária agressiva. Quando entra um jovem a dar com a pandeireta na própria cabeça já só recuperamos com o disfibrilhador. Que haja gente que quer estar na faculdade até aos 45 anos, percebemos. É barato comer nas cantinas, o engate é mais fácil, o cartão dá desconto no cinema. Mas qual é a parte gira de pertencer a uma tuna? A roupa? Aqueles trajes bafientos parecem ser pouco dados a banhos. É pelo convívio? Ao fim de meia hora já está tudo bêbado. Ah, é a música. Então não é bonito ouvir um fado da Amália acompanhado a ferrinhos? Não podemos esquecer a integração dos mais novos. Há até uma tuna que tem uma música em homenagem ao caloiro: “Caloiro és feio, burro, verme, imundo, porco, inútil, boi, cornudo, chato, pestilento e remeloso. És também cabeçudo, carrancudo, desdentado, orelhudo, trinca-espinhas, asno e asqueroso". Então não é tão bonito, tão a puxar para cima? O que nos consola é saber que todos os tunos foram, um dia, caloiros. Poupam-nos as palavras.


in Timeout nº100

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