2009/07/09

nique


O que não se deve levar para um piquenique:

- Comida de casa. Não deve levar em caso algum. Isso é como levar areia para o deserto. Então vai para a natureza onde há tantos elementos naturais comestíveis e não se aproveita isso. Não tem qualquer sentido. Deve levar-se a nossa cana de pesca e pescar um bom robalo para servir com espigas de milho, por exemplo.

- Fósforos. Não não e não. Então as campanhas servem para quê? Nada de fósforos para a floresta porque é perigoso, podemos provocar um incêndio e em sequência disso, podem vir os bombeiros que obviamente se vão alambuzar à comida que temos na mesa. Verdade. Os bombeiros estão sempre a pedir comida nestas ocasiões e por isso não é boa ideia provocar um incêndio.

- O carro. Nem pensar em levá-lo. Embora possa ser penosa a distância entre a cidade e o campo, a verdade é que deverá entender um piquenique como uma peregrinação a Fátima. É cansativo, mas depois é muito compensador. A grande diferença, é que não há milagres.

- Guarda Chuva. Isso é contra natura. Se chover deve assumir-se isso e aproveitar essas lágrimas do céu (bela expressão esta) para sorvê-las com gosto ou então reunir toda a família e fazer um bonito remake do célebre clássico “Serenata à chuva”. Quem anda à chuva, molha-se. Para quê contrariar isto?

- Não leve armas. Vai para um piquenique, não vai para o vietnam e os piqueniques costumam ser muito pacíficos, uma escaramuça de vez em quando por causa dos panados, uma galheta ou outra por causa dos míudos, mas é muito raro haver tiroteio. Aliás, não me lembro que alguma vez tenha havido. Mas quase que aposto que nos Estados Unidos um maluco qualquer já deve ter feito asneira no meio de um piquenique. Mas pode ser que não.

- Não levar pessoas que não gostam de piqueniques. Não se devem levar pessoas que não gostam de piqueniques, mesmo aquelas que dizem que não gostam e não experimentaram. Essas pessoas nunca vão gostar e mais do que não gostar, vão prejudicar as que verdadeiramente gostam de piqueniques. E eu gosto, embora nunca tenha feito nenhum.

- Escrever bem a palavra piquenique. É imperioso dizer bem a palavra piquenique e sobretudo escrevê-la bem. Não é pic à pic, nem picanic, é, e passo a escrever para ficar registado em acta: piquenique. Estamos conversados?

- Não usar camas de rede. De maneira alguma. As razões são muitas. A primeira, é que há sempre muita gente a dar-nos um abanão mais forte do que necessário e já não é a primeira vez que alguém que estava numa cama de rede vai parar ao rio Trancão. Depois, porque são poucas as pessoas que conseguem manter uma estética muito distante de um vulgar chouriço.

- Não levar livros de instruções de nada. Isso tira a graça de tudo. E a natureza é descobrir e por vezes quando não seguimos as instruções descobrimos coisas novas. Ainda outra dia, uma amiga minha foi ao IKEA comprar uma cama e depois de montada, percebeu que tinha acabado de construir uma estante para livros. E que muito jeito lhe dá. Dorme é no chão da sala. Isso é que é mais aborrecido.

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