
Eu não percebo este culto de se ir para uma discoteca com uma mala gigante, que num instante se transforma no objecto mais incomodativo de sempre. Como aliás já era previsível. Mas as meninas têm uma solução para isto. E qual é? Fazem montinhos de carteiras no chão e depois dançam em volta delas como se aquilo fosse um culto. Não dançam viradas para o meio da pista, para o sítio onde estão os gajos mais giros, não, dançam todas de frente para as carteiras. Eu percebo aquela sensação de que se não levarmos a casa connosco, é nessa noite que algo nos vai fazer uma falta irreparável. Eu entendo. Mas é por isso que também eu levo a casa, mas a deixo no carro. E nunca precisei de lá ir buscar a mais pequenina coisa. Para eles, há um factor positivo nisto tudo. É que, invariavelmente, o círculo de meninas é proporcional ao monte de carteiras no chão. Não se dança em cima das malas que é para não as estragar. É sempre um ou dois passinhos atrás. Logo, enquanto por aqui estiver a moda das malas grandes, os meninos que andem à noite no engate só têm que procurar o círculo mais redondinho e perfeitinho. E quanto mais largo mais meninas lá estarão.
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