
Atentemo-nos na própria palavra. ‘Borboto’. Borboto é um vocábulo feioso, abrutalhado, e rima com coisas desagradáveis como esgoto, arroto, pé boto ou couto. Não augura, pois, nada de bom, a palavra. Mas aquilo a que se refere consegue ser ainda pior. E se um borboto incomoda muita gente, quantos mais pior. Dizem-nos: “Ah, isso é porque compram camisolas pindéricas, na feira, que as boas marcas não são favoráveis ao borboto.” Mentira! Mentira pura! Os borbotos são como as pragas de piolhos nas crianças: não escolhem classes sociais e atacam todos por igual.
E depois é o que representam: desleixo, desmazelo, falta de higiene, até. Uma pessoa pode ser lavadinha e estar vestida dos pés à cabeça com marcas irrepreensíveis e tecidos de nobreza comprovada. Mas basta um cacho de borbotos na manga ou, pior ainda, no peito, para toda uma imagem ficar comprometida. “Essa tipa? Éuma badalhoca, anda sempre cheia de borbotos.”
Quanto aos utensílios que prometem eliminar borbotos, não houve ainda um único que conseguisse o milagre de nos devolver o bom aspecto que a roupa tinha quando a comprámos. Talvez a gilete ainda seja a solução mais eficaz, mas convenhamos que tosquiar camisolas não faz parte dos hobbies mais excitantes que existem.
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