2009/01/14

À borla


Tuga que é tuga aprecia uma borla. Mesmo o tuga sofisticado, de fato Zegna e sapato Boss, sorri enternecido quando o relações públicas da loja de toldo preto e dourado lhe estende um cachecol de caxemira, como prova de gratidão por ser tão bom cliente. Tuga que é tuga gosta desse mimo, desse extra. De receber. De levar para casa os sacos que vêm com as revistas. Os tupperwares que vêm com os iogurtes. As colheres que vêm com os cereais. E se não tiver de comprar nada em troca, melhor ainda.

É por isso que amamos as ofertas nos supermercados. Uma pessoa vai a passar no corredor das carnes frias e eis que uma funcionária arreganhada estende uma generosa fatia de paio. Ainda com a boca a saber a fumeiro, e já no corredor dos patés, outra senhora de bata branca avança com uma tosta coberta de pasta de fígado. Dois metros adiante, há quem nos impinja sorrisos e queijos de vários tipos. Com sorte, ainda pode haver, no mesmo dia, prova de vinhos, mesmo a calhar para limpar o palato dos sabores diversos. E a gente, que entrou com fome, sai do super de bandulho cheio, com a alegria de ir poupar no jantar e a satisfação de ter recebido sem dar nada em troca. Coisa de que todo o tuga gosta.

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