
As caixas self-service são assim como a Via Verde dos supermercados: uma bela invenção para os consumidores, que não nos livrando de pagar – essa seria a invenção das invenções – permitem-nos fazê-lo de uma forma muito mais rápida e cheios de estilo. Para já só as conhecemos no Continente, na Fnac e no Jumbo. Mas já lhes apanhámos o jeito: enquanto toda a gente se encavalita nas filas e tem de esperar que o cliente da frente tire todas as dúvidas quanto aos pontos do cartão cliente ou quanto à promoção de um serviço de facas e tachos por cupões, nós vamos ligeiros para as caixas self-service, seleccionamos o modo de pagamento e toca a passar o código de barras e a ouvir o “pi” característico. Pi. Pi. Pi. Chega a ser divertido gastar dinheiro (se isso já se viu!). É verdade que às vezes as máquinas encravam, que não reconhecem os cartões, que ficam a pensar sabe Deus em quê, como um PC movido a Windows 95. Mas nas caixas self-service somos donos e senhores das nossas compras. Podemos comprar o que bem entendermos, que ninguém vai fazer interpretações sobre a nossa vida privada através do que levamos no carrinho. Podemos levar 20 embalagens de queijo feta, por exemplo, sem ninguém pensar que temos um fetiche com queijo feta. Ou o DVD do Diário da Nossa Paixão e uma embalagem de kleenexes. Ou uma caixa de preservativos e uma embalagem de chantilly em spray. Tudo, tudo o que nos passar pela cabeça.
Ana Dias Ferreira
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