2009/07/01


Começa com um leve burburinho. Não mais do que um rumor, quase um sussurro que vai subindo de tom. Às tantas, aquele simpático casal que calhou ficar sentado ao nosso lado no restaurante, transforma-se. Fica como que possuído e inicia um processo de lavagem de roupa suja, ali mesmo. Amamos. Deixamos de estar concentrados no nosso bife, apoiamos o queixo na mão e ali ficamos, a assistir à cena, que não há coisa melhor do que novelas mexicanas ao vivo. E, claro, é impossível não tomar partido. Dá vontade de puxar uma cadeira mais para perto deles e intervir: “Pois com certeza que ela tem razão em não querer mais namorar consigo, meu ordinarão! Então ela apanha-o a olhar para rabo da empregada de mesa e estava à espera de quê?”. Ou então “ah, sua lambisgóia traidora, que aproveitaste precisamente quando ele estava a roer o osso do frango assado para lhe dizeres que andavas metida com o melhor amigo”. Claro que a maior parte das vezes ficamos sossegados a ouvir, mas só isso já vale a pena. E quanto mais violenta for a discussão, mais graça tem. Se acabar com ela a atirar-lhe um copo de vinho à cara ou com ele a atirar um prato à parede, aí sim, é uma maravilha de uma discussão.

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