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Há pessoas com tendência para todos os níveis de taras e manias (já dizia o Marco Paulo), mas há umas mais aceitáveis que outras. Por exemplo, já quase se desculpabiliza que os homens gostem de tirar macacos do nariz enquanto conduzem. Pelos vistos é coisa que os acalma, e se isso contribui para uma diminuição da sinistralidade rodoviária, então é deixá-los limpar o salão à vontade. Somos menos tolerantes com tendências que roçam o obsessivo-compulsivo, como a recusa em arrancar aquele plasticozinho autocolante que vem a proteger o ecrã dos telemóveis. “Para não riscar o ecrã”, dizem. Claro. É muito mais giro NÃO conseguir ver o ecrã de todo, pelo facto de estar coberto por uma película amarfanhada, carcomida, cheia de pó e, em alguns casos, quase, quase a cair. A ver se nos entendemos: se aquilo não fosse para arrancar... vinha preso. Fixo. Seguro. Soldado. Coladinho com Super Cola 3. Se não vem, é porque é para tirar, porque aquilo só serve mesmo para proteger os objectos enquanto eles ainda estão na caixa e são transportados de um lado para o outro. Depois disso, o máximo que se permite é que se mantenha o autocolante por um dia (e já estamos a ser amigos), enquanto ainda há ali aquela relação de afeição e adoração pelo objecto. Findo o prazo, é só ridículo.
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