
Não gosto de portagens, não gosto de dívidas, não gosto do IVA, não gosto de pagar o que não devo, de ouvir o que não tenho de ouvir, de falar com que não gosto, de engolir o que não mereço. Não gosto de meninos pequeninos que se fazem grandes homens, nem de homens que se comportam como meninos pequenos. Não gosto de pessoas que só querem o que não têm e quando têm o que querem, não sabem do que é que gostam. Não gosto de dúvidas nem confusões, de meias palavras e indefinições. Não gosto de ouvir "não sei", "logo se vê", "tem paciência" nem que me estejam sempre a pedir desculpa. Não gosto de atrasos, de promessas falhadas, de encontros desmarcados à última da hora, de palavras vãs, de planos que não se põem em prática. Não gosto de gritos, nem de cenas, de gestos teatrais e frases dramáticas. Não gosto de ficar calada quando tenho coisas para dizer nem de ter de adivinhar o que os outros não conseguem explicar. Não gosto de talheres mal lavados e de unhas encardidas. Não gosto do dito por não dito e de tudo o que é mal feito. Não gosto que passem à minha frente e que me peçam dinheiro só porque fingiram ajudar a arrumar o carro. Não gosto de intrigas nem histórias mal contadas, não gosto de cartas que se perdem antes de chegar ao destino, de livros que não chegam ao fim, de viagens que não se fazem. Não gosto de não poder acreditar nas outras pessoas, não gosto de voltar atrás, e ainda menos que voltem atrás comigo. Não gosto de pessoas que pensam que sabem tudo e que falam com arrogância, não gosto de intelectuais que ganham a vida a escarnecer as pessoas e só perdoam os que o idolatram. Não gosto de pessoas que para os outros são bonzinhos e para os de casa fazem voz grossa, que falam da sua vida privada ao primeiro conhecido que encontram e que se escondem atrás de ideias feitas para julgar o que está bem ou mal. Não gosto de pessoas calculistas e maquiavélicas, que não sabem ver mais longe que os seus interesses e o seu bem estar. Não gosto que me cortem a onda e me afastem de quem gosto, não gosto de perder oportunidades nem tempo.
Sem comentários:
Enviar um comentário