
A minha mãe cortava cenouras às rodelas numa ponta da mesa. A minha prima, de seis anos, almoçava na outra ponta. Eu estava sentada ao lado dela. De repente, entre uma garfada de batata e um pedaço de lula:
- Ó Rosa, o que é sexo?
(A minha mãe continuou a cortar as cenouras, mas vigiava-me pelo canto do olho)
- Ãh… sexo é quando duas pessoas se sentem muito atraídas uma pela … (a faca ficou suspensa no ar) … quer dizer, quando gostam muito uma da outra (recomeçou a sua tarefa de cortar cenouras), e querem ficar muito juntinhas, e…
- Ah, é para ter bebés?
- Não! (saiu-me com mais veemência do que eu estava à espera) Bem, pode ser, mas… (e lá estava a faca outra vez a pairar no ar) … sim, é para ter bebés (achei que a omissão não era assim tão grave, e afinal as cenouras eram precisas dentro da panela)
- E como é que se faz?
- (respirei fundo) A tua mãe nunca te contou como é que os bebés vão parar dentro da barriga das mães? (perguntei, esperançosa)
- Não.
- (mais uma inspiração profunda) Então, os homens e as mulheres são diferentes, sabes… uns têm… (de repente, como por magia, “nasce” um pudim em cima da mesa, saltando das apressadas mãos da minha mãe)
- Boa, pudim!!! Quero com pouco molho, está bem, Rosa? – Ó, tia, como é que se faz pudim?...
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