
Descobri que os piscas têm um poder maravilhoso, ou pelo menos muita gente julga que sim! Os piscas têm o poder de fazer desaparecer os carros que estão ao lado!!! Por exemplo: eu vou na faixa do meio e quero virar à direita. O facto de estar na faixa errada não é relevante para o caso. Como quero virar à direita, começo a chegar-me para a direita. Para cima de outro carro que já lá estava (essa é outra que muita gente não percebe: os corpos ocupam espaço; e existe uma lei qualquer que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo; por acaso acho que esta lei devia ser revogada, mas pronto...). O outro carro resolve buzinar. E como buzinou, eis o raciocínio do gajo inteligente que quer virar à direita: "se calhar é melhor fazer o pisca". Faz o pisca e continua a chegar-se à direita, esperando que assim já não lhe buzinem. E que o outro carro desapareça pela acção mágica daquela luzinha intermitente! Deve ser por isso que as ambulâncias em marcha de urgência ligam os quatro piscas, para fazer com que os vários carros que estão a estorvar-lhes o caminho desapareçam e poderem chegar ao hospital o mais rapidamente possível!
Na verdade esta lógica tem algumas falhas. O poder mágico dos piscas não é fazer os outros carros desaparecer. É mais uma questão de atracção-repulsão: um carro com o pisca ligado repele os outros carros; dois carros com os piscas ligados atraem-se. Assim, se eu quero mudar de faixa basta-me ligar o pisca e começar a chegar-me para a outra faixa que os carros que lá estão começarão a ser repelidos pela acção do pisca. É por isso que há um pisca à frente e outro atrás: um empurra um carro para a frente, o outro empurra o outro carro para trás e com isso arranja-se espaço para o meu carro. Por outro lado, se o carro da faixa do lado fizer o pisca contrário ao mesmo tempo que eu os dois veículos atraem-se e acabam por chocar a meio da manobra.
Como vêem, tudo aquilo que vos ensinaram nas aulas de condução é um disparate completo. Por exemplo, nas aulas de condução ensina-se que se deve olhar para o retrovisor, o que é completamente desnecessário. É por isso que eu mandei retirar os retrovisores exteriores do meu carro, que assim consigo passar em sítios mais apertados (é complicado estacionar ao pé de minha casa, às vezes tenho também de tirar os retrovisores dos outros; o que é chato, porque não consigo tirá-los com facilidade, costumo ter de usar uma pedra grande ou um martelo). O retrovisor interior costuma estar convenientemente apontado para o lugar do passageiro, dando-me uma boa perspectiva do decote da pessoa do lado (para mim os gajos são como as crianças: sempre no banco de trás! e como eu tenho um carro comercial... azar). Digo-vos já que a condução é muito mais agradável e olho muito mais para o espelho quando a companhia tem um top decotado do que antes, quando o espelho apontava estupidamente para os carros que seguiam atrás de mim. Digo estupidamente porque para conseguir ver as mamas da gaja do carro de trás é preciso estar muito perto, o que me obrigava a travar repentinamente na auto-estrada quando achava que aquele decote merecia ser visto mais de perto. E isso era perigoso, como me disse o senhor da oficina quando me substituiu o pára-choques traseiro pela oitava vez (não percebo porque é que não me avisou antes... virava o espelho para o banco do lado e escusava de ir tantas vezes à oficina).
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