
«“As mulheres deviam trazer manual de instruções trilingue ilustrado e vídeo passo-a-passo”. Tenho um amigo que está sempre a dizer isto. E, embora eu lhe responda, invariavelmente, com insultos de machista para baixo, lá bem no meu íntimo sinto-me tentada a concordar com ele.
De facto, se pusermos a mão na consciência, vamos perceber que é bem mais fácil aprender mandarim durante o sono ou física quântica num curso por correspondência do que saber o que se passa na cabeça das mulheres. E tu que estás aí neste momento a pensar “que disparate, eu sei muito bem o que as mulheres pensam”, fica sabendo que ainda és pior que os outros. É que eles pelo menos sabem que nada sabem, o que sempre é um pouco grego…Assim numa análise a frio, olhando para as mulheres do lado de fora, claro que há algumas mais complicadas que outras mas, via de regra, a impressão que tenho é mais ou menos a mesma que sinto quando vejo alguém a dar aulas de matemática: nem nós mesmas conseguimos entender, só fingimos que sim para impressionar. E como os homens não sabem mesmo, eles acreditam, tal e qual como na matemática.
Se num dia os enchemos de elogios e lhes dizemos que são maravilhosos, no dia seguinte não lhes atendemos o telemóvel, não respondemos aos seus e-mails e muito menos lhes ligamos de volta. Agora atendemos o telefone como quem está a morrer de saudades, ficamos horas na conversa e parecemos, realmente, estar a adorar tudo isso. Duas horas depois eles ligam e nós já atendemos mal-humoradas, género “quéquefoi?”. Num dia nós queremos, no outro não. Num dia gostamos, no outro odiamos. Num dia adoramos o seu jeito “atencioso”, no outro dizemos que eles nos sufocam. Hoje achamos lindo o seu ar desgrenhado, as suas roupas desleixadas, amanhã olhamos e dizemos: “de onde é que saiu essa roupa? Achas mesmo que eu vou sair contigo assim?”.É, amigos, aconselho-vos sinceramente a desistir. Não vale a pena tentar entender.
Façam assim: finjam que entendem, que compreendem e tal, e quando nós virarmos costas vocês dão um murro no sofá ou partem alguma coisa… Nós não podemos é perceber que vocês estão confusos. Caso contrário, vamos bombardear-vos com tantas explicações mirabolantes e teorias estrambólicas, que quando terminarmos vocês não só vão perceber menos do que percebiam antes, como também vão ponderar seriamente a hipótese de atender o chamamento divino e abraçar o celibato. Afinal de contas, é bem mais fácil entender Deus.»
by Rosa, num blog
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